ESPORTE
Segunda etapa da Brasil Ride tem vitória e liderança dos portugueses Tiago Ferreira e José Silva

Vice-campeão do mundo, Ferreira repetiu triunfo de 2016 na ida de Arraial d'Ajuda, em Porto Seguro, para Guaratinga. Na máster, a liderança agora é dos tchecos Robert Novotny e Fojtik Ondrej, enquanto na ladies Raiza Goulão e Margot Moschetti seguem na frente

Pódio da segunda etapa (Fabio Piva / Brasil Ride)

A segunda etapa da Brasil Ride coroou uma nova liderança na categoria open da oitava edição da principal ultramaratona de MTB das Américas. Com mais de quatro minutos à frente dos segundos colocados nos cerca de 130 km entre Arraial d'Ajuda e Guaratinga, os portugueses Tiago Ferreira e José Silva entraram de vez na disputa pelo título da competição. O top 3 do dia teve ainda os italianos Michele Casagrande e Fabian Rabensteiner, atual campeão do evento, seguidos de Henrique Avancini e o tcheco Jiri Novak.

Com a vitória em 4h39min36, Tiago e José têm agora o acumulado de 5h33min40. A segunda colocação é de Michele e Fabian, com tempo total de 5h34min41, apenas um segundo à frente Avancini e Jiri. O top 5 geral da open tem ainda o holandês Hans Becking e o dinamarquês Sebastian Fini e os ciclistas Mario Antônio Veríssimo e Kennedi Sampaio, que mantiveram a camisa branca, de melhores das Américas.

A prova desta segunda-feira (16) foi definida quando os ciclistas aproximavam-se do km 80. Tiago e José, que haviam ficado para atrás na primeira metade da prova, colaram nos líderes e ditaram o ritmo nos quilômetros finais. "Neste ano a estratégia foi diferente. Respeitei os limites do José nas partes técnicas, predominantemente no início, e ficamos um pouco atrás do pelotão da frente. No meio da prova encostamos nos rivais, mas sempre sem correr riscos. No km 90 o José me avisou que estava sentindo-se bem e forçamos. Fomos sempre pedalando forte, mas de uma forma confortável", destacou Tiago.

"Na verdade nossa estratégia foi de não fazer grandes ataques, apenas pedalamos sem pensar muito e indo até onde dava e conversando demais. Tentamos a sorte e felizmente repeti a vitória na segunda etapa, igual 2016, e agora estamos na luta pelo título", contou Tiago, atual vice-campeão mundial de maratona, que baixou cerca de 9 minutos em relação ao tempo do ano passado. "Não vamos nos colocar pressão, mas sim ir dia a dia. Ganhar a Brasil Ride seria um sonho, mas teremos corridas mais técnicas pela frente então não dá para prever. O ideal é seguir assim,sem correr riscos", completou Tiago.

José e Tiago cruzam a linha em primeiro
(Fabio Piva / Brasil Ride)
Margot e Raiza vencem novamente
(Rosita Belinky / Brasil Ride)

Para José Silva, que fez dupla com Tiago em 2011, a vitória teve um sabor muito especial. "Me sinto como se estivesse vivendo um sonho. Depois do nascimento dos meus dois filhos, me sinto sonhando aqui. O Tiago é um ídolo e um grande amigo, além de ser o melhor ciclista do mundo em XCM (maratona). Ganhar uma etapa da Brasil Ride com ele é algo que nunca imaginei. Agora, vamos desfrutar o dia a dia e dar tudo que temos e até o que não temos para seguir na briga", enalteceu José.

Disputa do top 3
As outras duas duplas que subiram no pódio nesta segunda, Michele/Fabian e Avancini/Jiri, também são consideradas favoritas até o momento para o título de 2017, ao lado de Tiago e José. "A etapa foi boa. Senti um pouco meu joelho por causa da queda sofrida no prólogo, mas com o passar do tempo fui sentindo-me melhor. No km 80 melhoramos o ritmo. Nos quilômetros, finais conseguimos superar o Avancini e o Jiri, os favoritos para nós", contou Fabian. "Para mim essas distâncias de ultramaratonas são muito longas para o meu tipo físico, mas estou muito feliz pelo resultado. Espero me recuperar bem para a terceira etapa, que será difícil também", avaliou Michele.

O ciclista Henrique Avancini avaliou o decorrer da prova. "Foi uma corrida morna na elite. Tentei subir o ritmo na primeira parte até o ponto de apoio 1 e foi bom, porque esticou o pelotão, apesar de saber que depois reagruparia. Até o km 70 o ritmo foi monótono, pois ninguém estava ativo. O Tiago veio bem e abriu um pouco em um trecho simples, com uma margem pequena e foi crescendo pouco a pouco. Minha tática com o Jiri não deu certo e no finzinho ficamos sem abastecimento. Estamos muito bem. O Jiri não costuma ir bem no dia 2 e com apenas um minuto, está muito bom", contou Avancini. "Talvez eles, Tiago e José, sofram para segurar essa camisa nas etapas rainhas de terça e quinta", completou.

Reinado ameaçado na máster
Acostumados a reinarem na máster nos últimos quatro anos, o holandês Bart Brentjens e Abraão Azevedo não tiveram um bom resultado nesta etapa. Com mais de 12 minutos de desvantagem para os novos líderes, os tchecos Robert Novotny e Fojtik Ondrej, Bart e Abraão viram a liderança na categoria escapar após terem sido tetracampeões seguidos entre 2013 e 2016. "Andamos mais forte do que deveríamos no começo, nos primeiros 50 km, e a partir do km 90 até completar, o ritmo caiu muito. Não consegui me manter e agora perdemos a camisa. Temos mais cinco dias para nos organizarmos e tentar dar a volta", relatou Abraão, que completou o percurso com Bart em 5h21min29.

Mario Veríssimo e Kennedi Sampaio
(Fabio Piva / Brasil Ride)

Bicampeão em 2010 e 2011 na open, pouco antes de se aposentar como ciclista profissional, Robert Novotny comemorou o resultado e sua volta ao Brasil. "No início o ritmo era muito rápido e eu estava abaixo do rendimento esperado. Fui me sentindo melhor e no km 100 alcançamos o Bart e o Abraão e os deixamos para atrás. Estava muito quente e fiquei completamente sem água. Felizmente chegamos na frente. Me sinto ótimo", comemorou Novotny, que finalizou o dia em 5h08min35.

"Em 2010 e 2011 foi tão legal, mas quando terminei minha carreira tive várias lesões e corri muito pouco nos últimos cinco anos. Em 2017, por exemplo, corri apenas uma corrida além da Brasil Ride. Chamei o Ondrej para vir há um mês e o Mario Roma na hora nos convidou quando falei sobre a possibilidade com ele", relembrou. "Mesmo eu não estando em ritmo de competição, o Ondrej está em boa forma e ele é forte, com várias corridas neste ano no currículo", completou o ciclista tcheco, que em 2016 esteve no evento, mas trabalhou na parte de suporte de outra equipe estrangeira.

Ladies tem liderança mantida
Raiza Goulão e Margot Moschetti mantiveram-se na liderança e terminaram o dia com folga, em 5h37min20. "Nessa etapa a estratégia contava muito. Nos empolgamos muito no começo e saímos bem forte, e foi importante que depois de duas horas a Margot me ajudou bastante, me puxando literalmente. No final invertemos, e ultramaratona é isso, um ajudando outro", contou Raiza. "Foi realmente um estágio longo, mas bom. O início para mim foi ruim, mas a partir da metade melhorei. Finalizamos bem, uma etapa bem bacana. Competir com a Raiza tem sido proveitoso, ela me ensina muito", disse Margot, ciclista francesa de apenas 23 anos.

Terceira etapa
Já hospedados no acampamento da Vila Brasil Ride, em Guaratinga, os atletas terão nesta terça-feira (18) a primeira das duas etapas rainhas, as mais difíceis para os ciclistas. Com a largada às 8h, os melhores mountain bikers do mundo terão 74 km para pedalarem e 2.559 metros de altimetria acumulada nessa região montanhosa do extremo sul da Bahia.

 

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