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Mobilidade Urbana

 Sep 22

DIA MUNDIAL SEM CARRO EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS


Mesmo em tempos de pandemia a data é de extrema importância para a conservação do planeta, nos faz repensar os nossos deslocamentos diários, de conscientização sobre os impactos da poluição do transporte individual no meio ambiente e na qualidade de vida

O dia 22 de setembro é conhecido no mundo todo como o Dia Mundial Sem Carro. Nessa data, diversas cidades realizam atividades em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida, incentivando a diminuição da poluição. São diversas atividades com o objetivo de promover a reflexão sobre o uso excessivo de automóveis particulares nos deslocamentos diários. Essa reflexão vem ganhando cada vez mais espaço e já impacta políticas públicas de gestores de cidades.

Nesse dia, convidamos você a deixar o veículo motorizado em casa e utilizar de meios de transportes coletivos ou individuais não motorizados.

Em 2020, em meio à pandemia do coronavírus, o automóvel e o que ele proporciona aos que possuem, no caso conforto e segurança, passou a ter 'sobrevida', até mesmo para aqueles que abominam esse tipo de deslocamento. Mesmo assim, a data tem validade na medida em que o isolamento social, por causa do problema sanitário, proporcionou a redução dos índices de poluição nos mais diversos níveis, como a do ar, dos rios e a sonora, por exemplo.

Para especialista, Alessandro Azzoni, advogado e economista, especialista em direito ambiental, a data auxilia sociedade e governos a repensar as cidades.

De acordo com Alessandro Azzoni, advogado e economista, especialista em direito ambiental. "O Plano Diretor da capital paulista, de 2014, já traz um modelo de frotas a ser utilizado com biocombustível e o conceito de mobilidade urbana sustentável, que é aquela centralizada no pedestre e no transporte coletivo de maneira a integrar todos os modos de transporte", destaca.

Todas essas medidas, explica ele, pretendem evitar excesso de deslocamentos na cidade e para que as emissões diminuam. "Na pandemia tivemos aumento do transporte individual porque as pessoas ficam mais preocupadas com contaminação, assim como houve mais demanda por carros de aplicativos e táxis, mas um transporte sustentável introduz modelos com novas tecnologias menos poluentes, uso de ciclovias, melhorias nas calçadas para incentivar o transporte a pé", explica ele.

A prioridade ao transporte coletivo se explica pela alta taxa de poluição. "A emissão se mede por quilo de CO2/litro: no ônibus é de 0,08 por passageiro e num carro é de 1,46 por pessoa. Considerando que um ônibus transporta em média 36 passageiros e de carro a média é de 1,5 ocupantes, para levar a mesma quantidade de indivíduos do coletivo seriam necessários quase 20 automóveis a mais na rua. O modal da cidade não suporta mais o aumento do transporte individual, por isso essa data é importante para entender os efeitos desse modelo para a vida das pessoas", reflete.

De acordo com Azzoni, na capital paulista, assim como em muitas metrópoles, essa mudança é necessária porque, de acordo com o mais recente inventário de emissões, os ônibus ficaram em terceiro lugar como mais poluidores. Carros e motos passaram para primeiro e segundo lugar. "Com a mudança para biocombustível, os ônibus deixaram as primeiras posições na questão das emissões, daí o foco no transporte individual. Se levarmos em conta que temos uma frota de 9 milhões de veículos na cidade, entre carros, motos, ônibus e caminhões, o volume de partículas é muito alto e fica potencializado pela concentração de veículos nos mesmos espaços. Não tem como não pensar na efetividade do uso de transporte coletivo em detrimento do individual", salienta.

Ficar um dia sem carro e adotar outras alternativas de transporte, de acordo com o especialista, é importante para reduzir na prática o volume de veículos e baixar os congestionamentos que intensificam os poluentes causadores de inúmeros problemas de saúde. "A qualidade do ar envolve a saúde pública porque as pessoas acabam adoecendo com a absorção de poluentes e material particulado somado aos períodos de seca e redução de umidade que leva a doenças relacionadas ao sistema respiratório e até aumento de infarto", enumera.


autor do artigo

Eduardo Santos

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